sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Nos bons tempos da velha escola...


Ainda hoje assisti a uma reportagem de um aluno que agrediu uma professora porque ela foi   maldosa e não o deixou falar ao celular em aula.
Amo a profissão docente, Paulo Freire define como um sacerdócio, e eu, reles mortal, tenho que concordar com ele, porque só por acreditar em algo transcendental, faz com que permaneçamos na dura lida de ensinar.
Antigamente, quando se fazia uma "bagunça sadia" éramos punidos sem piedade pela escola, por nossos pais e nem direito tínhamos de reclamar, afinal, desproviam-nos de razão.
Bem sei que os tempos mudaram... Ah, como mudaram...
Outrora, no recreio, jogávamos queimada, praticávamos alguma brincadeira. Hoje, não querem cordas, petecas, bolas, querem falar de namoradinhos (as), antes só falassem, mas a pirralhada que mal saiu das fraldas já estão dando trabalho à diretora que tem de sair às pressas para que não se "peguem" atrás da escola (e isso já presenciei). Hormônios à flor da pele, dá-se um desconto, mas convenhamos que conseguíamos ter mais controle sobre nossas libidos.
Não tínhamos material didático, transporte escolar, computador, nadinha, nadinha...era apenas um simples caderno, giz, alguns lápis, mal tínhamos um estojinho para colocar nosso escasso material, mas estávamos lá, com brio e respeito na cara!
Já ouvi pais dizerem que não sabem o que fazer com os filhos, aí fico louco, porque quando aprontava, meus pais sabiam o que fazer comigo e como sabiam! Não quero nem lembrar das sovas, broncas, coças e castigos que restringiam coisas que gostava de fazer!
Desculpem-me os que concordam que o bater não resolve, mas definitivamente não aceito como plena essa verdade. Ainda acredito que de vez em quando uma varinha  pernas abaixo ou sovando o bumbum faz um bem enorme e ajuda a ovelhinha teimosa a endireitar o caminho, no entanto, ressalto:  uma varinha é o oposto de espancar!
Façamos um paralelo e pensemos, éramos ignorantes nos tempos passados, ou essas "crioncinhas" evoluiram demais?
Alguém de vocês se tornaram amargos ou suas personalidades foram distorcidas por conta de uma varadinhas ou até mesmos cintadas?
Fico preocupado, onde vamos parar?
Imaturos que fazem e acontecem sem nenhum mecanismo de coerção! Crianças respondonas aos pais e professores, embasadas pelo sistema que deixam-nas livres!
Talvez, como "sacerdotes educacionais" essa seja mais uma missão de elevado grau espiritual : bodes expiatórios, aceitar o sistema secular, abnegar o passado, isso tudo sem enlouquecer, sem se levar em conta os vexames dos nossos salários, mas isso fica para próxima...
Denilson 23/09/2011

6 comentários:

  1. Olá Digníssimo Colega,

    "BEBI" o seu texto.
    Há dias, em que nos apetece falar verdade, e dizer o que nos vai na alma.
    Nota 10 para si, Professor.
    Não falando dos parcos salários, acabamos , quase todos, com depressões.
    Felizmente, que comigo, não fazem farinha. As regras são estabelecidas e assinadas, por ambas as partes, em forma de contrato, no início do ano.
    Quem não cumpre merece "Divórcio".

    Beijos profissionais de luz.

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  2. Luz, precisamos de rigidez e afeto. Sua postura é louvável quanto ao estabelecimento de regras, que são limites inerentes à boa educação!
    Beijos profissionais e educacionais

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  3. Denilson,
    tens toda a razão de estar preocupado, eu também.
    O que está faltando para as nossas "crioncinhas" são os limites e umas boas varadinhas, que não fazem mal a ninguém, isto eu garanto. Sou do tempo que tínhamos somente um caderninho, um lápis que tinha que durar bastante, não tive pastas, mochilas, fichários, nada. Levava meus caderninhos em saco plástico daqueles de arroz, e era feliz. A média era 70 e no final do ano fazíamos exame e éramos reprovados. A cada entrega de boletins o nosso coração disparava feito louco com medo de ser reprovado. Hoje os nossos alunos nem estão preocupados com notas, tanto faz, sempre tem aquele jeitinho, aluno recupera, faz trabalhinho tem que avançar e assim vai, vai... Até quando? Mas ainda tenho esperança...
    Que a primavera encha teus caminhos de flores e positividade.
    Bjs.

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  4. Querida Zélia, experiência enriquecedora a sua. Quanta sabedoria adquirida pela escola da vida!
    Agradeço seu comentário e fico feliz por sua presença aqui!
    Que as flores da primavera enfeitem sua vida!
    Beijos, com carinho!

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  5. Hoje não se perdeu o respeito somente com os professores. Nós perdemos respeito pela vida, pelo próximo. Não e culpa da criança desrespeitar o professor. Não e culpa da criança se agarrar atrás dos muros da escola. Não e culpa da criança perder o respeito pelo professor. Isso e culpa do meio. Sim! O homem e produto do meio que está inserido. Como uma criança vai respeitar seu professor se seus país não se respeitam e não respeitam o vizinho? Como uma criança não vai ter desperta sua libido se na TV temos vários programas como "malhação"? Como respeitar professores se muito não se dão ao respeito, se muitos abusam da sua autoridade? Não são as crianças que estão erradas. E a sociedade!
    E bater não prejudica nenhuma educação, pelo contrario lembro-me com nostalgia quando estudava matemática com meu pai, ele me enchia de tapa quando não pensava. Anos depois acabei que entrei na faculdade de engenharia.

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  6. Grande Leandro, gosto de esse entrelaçar de ideias, de uma surgem outras. Fico feliz por suas sábias colocações em meu blog, contribuindo para o crescimento humano!
    Grande abraço!

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