Perdoe-me Vinicius e Jobim, mas essa história de “Eu sei que vou te amar” não cola mais, pois eu não posso amar por toda minha vida, nem desesperadamente amar quem não corresponde aos meus sentimentos. Não desejo “sofrer a eterna desventura de viver à espera de viver ao lado seu, por toda minha vida”.
José Augusto me poupe, longe de mim “Agora Aguenta Coração, você não tem mais salvação...”, há remição sim, quando olho para meu eu, aprendendo a me amar!
Esqueço-me de vez do “Oceano” de Djavan, onde “amar é um deserto e seus temores, vidas que vai na cela dessas dores” , preciso de um oásis, segurança, liberdade emocional.
Cartola que me desculpe, mas não vou me queixar às rosas, afinal, elas não falam... Também não quero sonhar um sonho incorrespondido e depois implorar que alguém venha “ver os meus olhos tristonhos”.
Nada de “Vivendo por Viver” do rei Roberto Carlos, nem pega bem a um monarca e aos seus amantes súditos “viver por aí por viver, com valores reprimidos por alguém” e mesmo assim “insistir em cultivar a presença desse “alguém”, mesmo que esse “alguém” nem saiba”, isso é humilhante!
Basta de “Jura Secreta” onde “os beijos de amor que não roubei e as juras secretas que não fiz, entristecem”, quero realização, nada de me martirizar!
Grito de alerta, oh Bethânia, chega desse negócio de “uma dor arruinando meu coração, de um lado carente dizendo que SIM e essa vida da gente gritando NÃO”! Quero aceitar a realidade e desprender da escravidão denominada carência!
Quero mesmo é a resposta para a interrogativa introspectiva de Buarque “O que será que será que dá dentro da gente e não devia, que desacata a gente que é revelia”, visto que, torno mais pleno, quando me entendo.
O que desejo mesmo é ir “caminhando e cantando e seguindo a canção” sobre o embalo de Geraldo Vandré, afinal, Belchior já dizia o que penso, quando compôs “que apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, então “ viver é melhor que sonhar” e já vem “vindo no vento um cheiro de nova estação”, portanto, vivamos tal novidade!
Quero “a risada mais gostosa” e “esse jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa” de Ivan Lins.
Almejo Elis com sua “casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz, compor muitos rocks rurais, a esperança de óculos e o filho de cuca legal, plantar e colher com a mão a pimenta e o sal”.
Anseio seguir o conselho de Tihuana “viver um dia de cada vez, sentir saudades e não ter medo de chorar”.
Desejo desfrutar de “Tempos Modernos” de Lulu Santos, “um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera, tudo isso por cima do muro de hipocrisia, uma vida clara, farta, repleta de toda satisfação”,em que eu possa “viver tudo que há pra viver”, com responsabilidade, é claro!
Quero que, em minha quietude, junto a Milton Nascimento “falar da cor dos temporais e de pequenos fragmentos de luz” e “amar de novo, e se não der, não sofrer”.
Enfim, rogo, que juntos viajemos na “Aquarela” de Toquinho, enfrentando os bens e adversidades existenciais, com muita alegria, garra e determinação, mesmo sabendo que, um dia, enfim, “descolorirá”.
Denilson